O FATO OCORREU COM UM ALUNO DA APAE BRASÍLIA, QUE TEVE TODOS OS DENTES EXTRAIDOS, POR UM DENTISTA, SEM UM MÍNIMO DE RESPEITO AOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. ESTE DENTISTA DA SECRETARIA DE SAÚDE DE BRASÍLIA, NÃO DEIXOU A MÃE DO MENINO ACOMPANHÁ-LO DURANTE O ATENDIMENTO, QUANDO ELA DEPAROU COM A IMAGEM DE SEU FILHO, SAINDO DO CONSULTÓRIO SEM NENHUM DENTE, COM A BOCA SANGRANDO E CHEIA DE PONTOS, SOFRENDO DE DOR. NÃO CABE NENHUMA EXPLICAÇÃO, A NÃO SER A CONDENAÇÃO PARA UM ATO DESUMANO COMO ESTE, DE ABUSO CONTRA UM DEFICIENTE, TOTALMENTE DESPROTEGIDO NO MOMENTO. Leia a noticia:
O Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal convidou para uma reunião os pais do rapaz que teve todos os dentes extraídos sem autorização. A direção da entidade prometeu reconstituir os dentes do garoto, que tem 17 anos.
O secretário-adjunto de Saúde, Fernando Antunes, afirmou que o caso será investigado. "Nós já afastamos o médico preventivamente, enquanto abrimos uma sindicância. Enquanto a sindicância estiver aberta ele ficará afastado das suas funções. Além disso, estamos tomando providências para que fatos dessa natureza não se repitam. No caso de indicação clínica e se a família tiver interesse, faremos o processo de restauração ou mesmo de implante. Nesse aspecto, o Estado vai priorizar o tratamento do César e a sua recuperação”, disse o secretário, também na segunda-feira.
Os dentes extraídos sem permissão de um garoto de 17 anos no Distrito Federal eram saudáveis, aponta laudo elaborado Laboratório de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília. Os peritos concluíram que não havia a necessidade de extrair os 26 dentes do jovem –apenas os dois que estavam previstos e autorizados pela família. O laudo vai ser anexado ao inquérito que investiga a responsabilidade do dentista.
“Os dentes estão muito conservados e não apresentavam necessidade de extração. Apenas dois elementos dentários, que inclusive quem guardou os dentes (o cirurgião-dentista), os desprezaram, porque não eram dentes íntegros, assim como todos os outros”, afirma o diretor do IML, Malthus Galvão.
Trauma
O jovem é aluno da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brasilia, mas depois da cirurgia, parou de ir às aulas. A rotina mudou completamente, e a comida precisa ser batida no liquidificador.
“Eu não vou ter meus dentes de volta. O que eu quero é os meus dentes de volta. Eu não posso ficar sem os meus dentes”, lamenta César. A mãe dele, Maria Oliveira, mostrou uma radiografia da boca do filho e explicou o procedimento combinado: a extração de dois dentes.
“Eu falei: ‘o que o senhor fez? O senhor tirou todos os dentes do meu filho. Eram só dois dentes. Ele falou assim: ‘eu vi uma patologia e foi preciso tirar’. Eu respondi: ‘mas eu estava aqui, por que o senhor não conversou comigo? Ele ainda falou assim: ‘depois a médica vai explicar para vocês’. E foi embora”, relata a mãe do rapaz. O pai do jovem, Alfredo Ferreira, reclama do fato de sequer ter sido consultado. "Eu acho que foi uma mutilação o que fizeram sem explicação pros pais, sem autorização que tinha para fazer isso dos pais", critica. |